• Daniela Ventura

Crónicas da Gravidez: à terceira é de vez!

(continuação)

Bem sei que isto, assim dividido, quase parece uma telenovela: onde cada capítulo sai num dia (não digo uma série, pois o assunto não está bem estruturado o suficiente para tal). Contudo, considerei que seria menos maçador assim… e, afinal, são crónicas!

Vou então passar para a melhor parte da história: a conclusão. 🙂

Após reflexão e ponderamento, decidi avançar com a cirurgia para remover o septo do meu útero. Seria, se tudo corresse bem, uma operação simples, sem cortes externos e podia ir para casa no dia seguinte à mesma. O factor “anestesia” nunca foi algo que me seduzisse e era o que mais me assustava: “vou adormecer assim e acordar como?”. Mas, a vontade de uma gravidez promissora e tranquila falava mais alto. A questão: “e se depois de ser operada voltar a abortar?” era algo que, volta e meia, me vinha perturbar a mente. Não obstante, uma coisa de cada vez…

A cirurgia iria acontecer em Fevereiro 2017 e, certamente não era altura para engravidar. Depois de muito resistir à ideia de vir aqui alguém cortar o meu útero por dentro, confesso que me senti muito aliviada com a minha decisão. No entanto, o Universo tem – tantas vezes – surpresas na manga e (teimoso) só faz o que quer!

Em Janeiro de 2017, após apenas um pequeno “deslize” – nua noite improvável, uma vez que estava longe (pensava eu) de estar no meu período fértil: alguém decidiu que era altura para vir e (pelos vistos) ficar!

As primeiras semanas foram de muito medo e cautela: esperei o momento certo para contar ao pai, marquei médicos (obstetra, clínica geral e endocrinologista), aguardamos para ver como seria. Preparámo-nos para o cenário que nos era já familiar, mas decidi tentar ao máximo encarar esta experiência como se fosse a primeira vez: com entusiasmo e sem medos. Foi… desafiante e nem sempre fui bem sucedida. Às 6 semanas, tive uma grande hemorragia. Vim para casa, dormi, fui às urgências e já conhecia o resto da história. Surpreendentemente, pela primeira vez, a médica disse: temos um coração a bater. Sai de lá mais espantada do que se tivesse tido outra notícia – e uma semente de esperança (pequenina) começou a brotar.

Actualmente, estou grávida de 24 semanas: acabámos de atingir o limiar que indica que – se o bebe nascer agora – já pode ser considerado viável. Isto quer dizer que o farão tudo por ele.

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Gravidez com um útero septado

Há muita gente que engravida e consegue ser mãe com úteros septados. É claro que, cada caso é um caso: cada septo é um septo; cada corpo, um corpo. Há senhoras que só descobrem terem um útero septado com 60 anos, depois de terem tido 3 filhos sem uma única complicação.

Os riscos iniciais são o facto do feto poder alojar-se junto ao septo – um tecido fibroso que não é irrigado com tudo o que é preciso. Portanto, até às 12 semanas foi esperar que ele se fixasse nas paredes do útero: e não no septo. Foi o que aconteceu desta vez – ao contrário das outras.

Tive hemorragias durante 3 meses – sem parar. O lado esquerdo do meu útero encheu-se de sangue que foi sendo drenado durante esse tempo. Não me trouxe dores, apenas alguma preocupação – contudo a médica sossegou-me: o bebé estava bem, era apenas o útero a “limpar”.

Fui avisada que teria dores. Até agora, tenho cerca de 1 semana de dores mais intensas por mês. A médica avisou-me que, a partir das 28 semanas, poderiam ficar mais fortes e constantes: o bebé vai começar a crescer a sério.

Deveria ter feito a amniocentese, uma vez que um útero septado e cheio de sangue levariam à indicação para o mesmo. Mas os resultados do rastreio vieram todos negativos: safei-me!

Avisaram-me que deveria esperar pela chegada do bebé a partir das 30 semanas. Terei tudo pronto e a mala feita nessa altura. Ainda assim, falo com ele todos os dias explicando-lhe que o meu útero é especial (digo-lhe que tem sorte, pois é em forma de coração) e que ele deve crescer forte, saudável, confiante e feliz – e assim ficar aqui aconchegado até, pelo menos, às 36 semanas. Será que vamos conseguir? Repito-lhe, também, que juntos vamos conseguir. Por vezes, tento descomprimir das dores que sinto a chorar. Como digo, aproveito para pôr o choro em dia e ajuda-me a lidar com elas. Enquanto choro como quando tinha 8 anos, vou-lhe dizendo que aquilo não é nada com ele e que é apenas uma forma de eu conseguir superar o desafio.

Houve algumas pessoas que não acreditaram que esta gravidez fosse dar certo. Uma delas foi uma familiar próxima, que repetiu que não seria possível ter este bebé e que, mesmo que ele por aqui ficasse até aos 6 meses de gravidez, após esse tempo teria de ser retirado… respeito a opinião alheia e escolho acreditar e moldar a realidade que quero para mim. Se ela vai ser conforme a imagino e a sinto? Não sei… espero que sim. Gostava que todos os que me rodeiam estivessem sintonizados com esta minha vibração. A maioria está, e isso é importante para nós: sentimos o positivismo de quem amamos, a vontade de que tudo corra bem. E isso – estarmos todos a torcer pelo final feliz – é maravilhoso.

Tenho ouvido muitas partilhas de gravidezes curiosas, incríveis, improváveis e de bebés “milagre”. É, realmente, um mundo em que muito não se explica – e muito acontece. Se quem me está a ler tem algum problema que dificulte a gestação, se alguém vos tirou a esperança, se estão perdidas ou assustadas com alguma situação: espero que este depoimento (embora pouco melódico) vos traga uma centelha de esperança e vos faça acreditar que é possível. Muitas e muitas vezes, é possível e mais fácil do que parece. Confiem, procurem, esqueçam os entraves mentais que vos criaram. E apenas acreditem e confiem na vossa natureza feminina. A nossa mente é poderosa e faz milagres.

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